Por que a nova pirâmide alimentar valoriza o que vem da terra – como ensinar isso às crianças

Nas últimas décadas, muita coisa mudou em relação à maneira como nos alimentamos — e também na forma como os especialistas recomendam que façamos nossas escolhas alimentares. A pirâmide alimentar, que por anos guiou a população sobre os grupos alimentares e suas proporções, foi atualizada. E hoje, ela dá muito mais destaque ao que vem da terra: frutas, verduras, legumes, grãos e alimentos naturais.

Com a nova pirâmide alimentar em mãos, famílias têm uma excelente oportunidade de ensinar bons hábitos desde cedo às crianças. A conexão com os alimentos naturais e a consciência do que vai ao prato é essencial para formar adultos mais saudáveis e conscientes.

O que é a pirâmide alimentar e por que ela foi atualizada?

A pirâmide alimentar é um guia visual criado para orientar as pessoas a fazerem escolhas mais saudáveis, equilibrando os diferentes grupos de alimentos em suas refeições. No modelo tradicional, alimentos como pães, massas e cereais ficavam na base, sugerindo maior consumo, enquanto doces e gorduras estavam no topo.

Com o passar do tempo e o avanço das pesquisas em nutrição, especialistas perceberam a necessidade de rever esse modelo. A nova pirâmide — também chamada por alguns de “guia alimentar moderno” — prioriza alimentos in natura e minimamente processados, que vêm diretamente da natureza ou passam por poucas etapas de preparo.

Em vez de simplesmente contar calorias ou seguir porções fixas, o novo modelo propõe uma abordagem mais qualitativa, priorizando a origem dos alimentos e o impacto deles na saúde.

A valorização dos alimentos naturais

Frutas, legumes, verduras, tubérculos, sementes, castanhas e grãos integrais ganharam mais espaço na nova pirâmide. E isso não é por acaso. Esses alimentos são ricos em fibras, vitaminas, minerais e antioxidantes, além de contribuírem para o bom funcionamento do corpo e para a prevenção de doenças crônicas, como diabetes, obesidade e hipertensão.

Outro ponto importante é que alimentos naturais costumam ter um efeito positivo na microbiota intestinal — as bactérias boas que vivem no nosso intestino — o que influencia diretamente na imunidade, no humor e na saúde digestiva.

O papel dos ultraprocessados: cada vez mais longe do prato

Um dos alertas mais fortes da nova pirâmide alimentar é o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados. Isso inclui salgadinhos, refrigerantes, biscoitos recheados, macarrões instantâneos e muitos produtos de prateleira industrializados.

Esses itens, apesar de práticos e saborosos, costumam ser ricos em açúcar, gorduras ruins, sódio e aditivos químicos. O consumo frequente está associado a uma série de problemas de saúde, como obesidade infantil, problemas cardiovasculares, distúrbios de atenção e até depressão.

Por isso, a nova pirâmide orienta que os ultraprocessados sejam evitados ao máximo, e não apenas consumidos com moderação.

Como ensinar os filhos a valorizar o que vem da terra

Criar essa consciência desde a infância é um presente que os pais podem dar aos filhos. Ao se conectarem com o alimento, entenderem sua origem e aprenderem a valorizar os sabores naturais, as crianças crescem com um olhar mais saudável e crítico sobre o que colocam no prato.

A seguir, veja algumas estratégias práticas para envolver os pequenos nesse aprendizado:

1. Leve as crianças à feira ou ao hortifrúti

Mostre de onde vêm os alimentos, permita que escolham frutas ou legumes e explique as cores, formatos e benefícios de cada um. Essa vivência desperta a curiosidade e aproxima as crianças da natureza.

2. Crie uma mini-horta em casa

Mesmo em apartamentos, é possível cultivar temperos, alfaces, cenouras e outros vegetais em vasos. Cuidar da plantinha, ver o alimento nascer e depois comê-lo é uma experiência transformadora.

3. Cozinhem juntos

Convide os filhos para lavar os alimentos, misturar ingredientes ou montar pratos coloridos. Ao participarem do preparo, é mais provável que tenham vontade de experimentar novos sabores e valorizem o que estão comendo.

4. Fale sobre os alimentos de forma positiva

Evite rótulos como “isso é ruim” ou “isso engorda”. Em vez disso, fale sobre como os alimentos naturais ajudam a ter energia, crescer forte, proteger o corpo e ter uma mente mais feliz.

5. Apresente variedade

Muitas vezes, a criança diz que não gosta de um alimento porque teve uma experiência ruim ou só provou de uma forma. Explore diferentes preparos e apresentações. Abóbora no purê, assada, na sopa ou em bolinhos, por exemplo.

A importância do exemplo

Mais do que ensinar com palavras, os pais devem mostrar com atitudes. Se a criança vê os adultos consumindo refrigerantes diariamente, comendo poucos vegetais ou desprezando a salada, dificilmente vai querer fazer o contrário.

O ideal é que toda a família se comprometa com um estilo de vida mais natural, sem extremismos, mas com equilíbrio e presença.

Comer bem não precisa ser caro

Um mito muito comum é o de que se alimentar bem é algo inacessível. Na verdade, alimentos como arroz, feijão, batata, abóbora, banana, couve e ovos são extremamente nutritivos e, muitas vezes, mais baratos do que produtos industrializados.

Organizar um cardápio simples, com ingredientes sazonais e preparos caseiros, pode ser mais econômico e muito mais saudável do que depender de lanches rápidos ou comidas congeladas.

Tornando o momento da refeição um aprendizado

As refeições não precisam ser apenas uma hora de comer. Elas podem ser um momento educativo e afetivo. Enquanto todos se alimentam, é possível conversar sobre os ingredientes, contar curiosidades sobre os alimentos e elogiar escolhas saudáveis.

Além disso, refeições compartilhadas ajudam as crianças a desenvolverem autonomia alimentar, aprendendo a reconhecer sinais de fome e saciedade.

Os benefícios de ensinar sobre alimentação desde cedo

Crianças que aprendem desde pequenas sobre a importância dos alimentos naturais têm muitos ganhos a longo prazo. Veja alguns deles:

  • Menor risco de obesidade e doenças crônicas
  • Melhor relação com a comida (menos compulsões ou rejeições extremas)
  • Maior disposição para atividades físicas e aprendizado
  • Autonomia na hora de escolher e preparar alimentos
  • Maior senso de responsabilidade com o meio ambiente

Ao aprenderem a valorizar o que vem da terra, as crianças também desenvolvem mais respeito pela natureza, entendendo que os recursos são limitados e que nossas escolhas alimentares impactam o planeta.

Comer bem é um ato de amor — e de consciência

Ensinar os filhos a comer bem vai muito além de evitar doces ou insistir no prato de salada. Trata-se de cultivar um relacionamento saudável com a comida, com o corpo e com a natureza. É plantar sementes — de saúde, de equilíbrio, de sabedoria — que vão florescer ao longo da vida inteira.

O que vai à mesa é, sim, um reflexo do que vai no coração da família. E quanto mais natural, colorido e verdadeiro for esse momento, maiores os frutos que ele deixará.

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